domingo, 5 de abril de 2009

UM CASO DE CARÊNCIA DE MANGANÉSIO,1952 - II

"Tanto as castas brancas como as tintas evidenciam os mesmos sintomas,embora talvez por uma reacção própria da casta,as brancas os apresentem com mais nitidez,a ponto de num povoamento,mesmo a distância,se distinguirem com facilidade ums das outras. O amarelo das castas brancas é mais claro,de aspecto leitoso,sobressaindo melhor do fundo verde do resto da folha.
A alteração do pigmento começa pelas folhas mais idosas,subindo a pouco e pouco para as da extremidade,que,em certas condições,são atingidas quase simultâneamente às primeiras. É a margem que primeiramente se tinge de amarelo,caminhando o aspecto clorótico progressivamente para o interior,apenas respetando a zonaA vizinha das nervuras."

sábado, 4 de abril de 2009

O QUE TEM DE SER

O tio António andava ali que já não podia mais. Estivera muito mal do coração,coitado dele,mas recuperara,e achava-se muito capaz de voltar lá para a sua terra,onde estava a fazer muita falta. É que a sua vinha enchera-se de erva,o que não podia acontecer,pois lá se iria parte da comida que o solo dava para outras bocas.
Mas olhe que fica por lá sozinho. Sozinho tinha andado ele,a bem dizer,toda a sua comprida vida. Não era,naquela altura,com os oitenta e oito a espreitarem,que haveria de ter receios. Não se importassem,que ele não se atrapalharia,saberia cuidar dele.
A sua burrinha já marchara,por não ter suportado ausência tão arrastada,mas a vinha ficava perto lá da casa,pelo que eram as caminhadas uns meros passeios.
Era assim,o tio João,homem de trabalho toda uma vida,órfão bem cedo,muito cheio de vontade de chegar aos cem,e mesmo ultrapassá-los,que a sua vinha precisava muito dele,e ele dela,pelo que se haveriam de arranjar,sem ajudas de mais ninguém. Estava ali fazendo muita falta a burrinha,mas paciência,pois não se pode contrariar o que tem de ser.

UM CASO DE CARÊNCIA DE MANGANÉSIO,1952 - I

"Numa região de vinha que tem por centro o Cartaxo e se estende do Vale de Santarém à Cruz do Campo,alguém que se detenha a observar as videiras na época de vegetação em certas manchas desta zona,verificará,com estranheza,o colorido anormal que as parras apresentam. A contrastar com o verde natural a que estamos habituados e encontramos em todas as outras videiras fora destas manchas,surge-nos aqui um aspecto inteiramente novo,.... A cor verde mantém-se junto às nervuras,mas nos espaços entre elas aparece agora um tom amarelado,a formar como que verdadeiros meandros junto ás ramificações mais pequenas.
Embora com algumas excepções,estas manchas localizam-se nas bermas das estradas,com profundidades variáveis,indo nuns locais mais para o interior,noutros limitando-se às primeiras filas,nas vizinhanças das vias de comunicação. São,no entanto,quase sempre contínuas,raras vezes se deparando um indivíduo que destoe do conjunto tão anormalmente característico."