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domingo, 20 de setembro de 2009

DA BARCA DE AMIEIRA DO TEJO

"No sítio do Pôrto há uma barca de passagem. Aí mesmo atravessou o Tejo o cadáver e préstito fúnebre da rainha Santa Isabel ,na sua trasladação de Estremoz a Coimbra. Por esse facto,diz-se,não há memória de ter sucedido nessa travessia infortúnio algum."

RAUL PROENÇA
Guia de Portugal 2º Volume
Biblioteca Nacional de Lisboa
1927

terça-feira, 15 de setembro de 2009

HISTÓRIA DO BRASIL, AFRÂNIO PEIXOTO - IV

AS ESPECIARIAS
Conheceu a Europa, assim, as especiarias dos trópicos.
Esse supérfluo tornou-se necessário. O clima ajudara a religião
a vestir os homens e, demais, a evitar os banhos — Michelet
pôde dizer, da Idade-Média: nem um banho, em mil anos! — E,
no corpo não lavado e na roupa não mudada — a roupa branca
interna, a camisa, começa a aparecer só depois de 1330 — as
excreções fazem repugnância, incomodidade, repulsão. Os
perfumes tropicais, sândalo, mirra, benjoim, incenso, misturas,
essências, cânfora, tinturas, foram um alívio e um deleite. Com
as essências e os perfumes, o suntuário que agrada à vista,
tapetes, sedas, cetins, telas, damascos, jóias, porcelanas, mil
objetos exóticos invadiram a Europa e tudo era “especiaria”....

In http://www.ebooksbrasil.org/nacionais/acrobatebook.html

HISTÓRIA DO BRASIL, AFRÂNIO PEIXOTO - III

PREFÁCIO

A história não é um arquivo, ou relicário de memórias
evocadas: seria de pouco préstimo. Ao contrário. A história é
uma criação contínua da vida. Além do documento, que
aparece todos os dias, alterando o juízo, esse juízo, com o
mesmo documento, muda com as gerações, dada a
sensibilidade diferente das gerações sucessivas... A evocação
deve ser animada para ser ressurreição. Daí o dito razoável de
historiador contemporâneo, Jacques Bainville: de vinte em
vinte anos devia-se reescrever a história....

In http://www.ebooksbrasil.org/nacionais/acrobatebook.html

HISTÓRIA DO BRASIL, AFRÂNIO PEIXOTO - I

Suceda o que suceder, o Brasil será
sempre uma herança de Portugal.
ROBERT SOUTHEY — “História do Brasil”.
Londres, 1819, v. 3.º, c. XLIV, págs. 697.

In http://www.ebooksbrasil.org/nacionais/acrobatebook.html

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

COISAS DA HISTÓRIA

Isabel Sodré,de origem inglesa,foi mãe de Vasco da Gama. Já antes,de Filipa de
Lencastre,viera a Ínclita Geração. Coisas da história.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

TRABALHAR

Mas digamos,não é só isto. Junqueiro nos últimos anos dilacerou-se até ao âmago,interrogando e interrogando-se,e tendo sempre diante de si o caminho da vida percorrido. Debalde nós queremos muitas vezes apagar certas pegadas que deixamos no pó da estrada. É impossível - moldaram-se em bronze. Vemo-lo então agarrar-se,não aos gozos da existência nem aos interesses,mas ao trabalho criador e à parte dolorosa da vida. O último gesto das suas mãos será para produzir.
- E não posso trabalhar! e já não posso trabalhar!

RAUL BRANDÃO
Memórias (Tomo II)
Obras Completas Vol.I p.243
Edição de José Carlos Seabra Pereira
Relógio D'Água
1999

segunda-feira, 29 de junho de 2009

"CAMPANHA DA POEIRA"

"Foi em 26 de Maio de 1823 que se deu o movimento absolutista conhecido por Vilafrancada ou Campanha da Poeira,iniciado pelo pronunciamento de infantaria 23,que o governo liberal transferira de Lisboa para Almeida,e que ao chegar a Vila Franca,se insubordinou,aos gritos de
"Viva D. João VI,rei absoluto". Não tardou que D. Miguel,acompanhado por um esquadrão de cavalaria,se viesse reunir ao regimento amotinado, juntando-se-lhe a 31 de Maio D.João VI,
escoltado pelo regimento 18. O soberano conservou-se aqui até 5 de Junho...."
RAÚL PROENÇA
Guia de Portugal Volume I pg.594
Biblioteca Nacional de Lisboa
1924
Apresentação e Notas de
Sant'anna Dionísio
3ª reimpressão 1991
Fundação Calouste Gulbenkian

domingo, 28 de junho de 2009

UMA EXISTÊNCIA DE SONHO

"Quantas vezes me detenho a pensar,e a dizer aos melhores amigos da minha vida,àqueles a quem devo as horas mais silenciosas,mais recolhidas e mais belas: - Valeu-te a pena? Trocaste a vida pelo sonho. Gastas-te a criar,sabe Deus à custa de que absorção dolorosa. Nem vaidade satisfeita,nem vulgares interesses mesquinhos. Deste-nos a tua alma,e a tua existência foi um esforço sobre-humano para atingir a beleza espiritual e a beleza moral. Nisto passaram as melhores horas - passou a vida - e se consumiram cérebro e nervos,de homens que se chamam Herculano,Antero,Camilo e Junqueiro,que durante vinte,trinta anos,levaram a alma ao fogo dum cadinho,esquecendo-se que a vida galopa a nosso lado,e de que,se nos arrependermos,não há esforços,nem gritos,nem súplicas,nem sentimentos,nem razões que a detenham. Profissão,se é profissão,a pior de todas que conheço. Dela,extraem alguma vaidade,e quase todos sofrimento. Dela se morre. Vejo Camilo deitar a mão ao revólver e leio nos olhos de Antero o minuto supremo de angústia. Aí está o Eça exausto,e o pobre Fialho carrega com um fardo que me mete medo. Todos estes homens só tiveram uma existência de sonho,uma existência tão pesada e humilde de trabalho,que não há aí ninguém que a comprreenda,que a inveje. Uma força os obriga a subir sempre,a subir ainda que não queiram. Nem desviam os olhos,nem se sentem sangrar. Totalmente se entregam..."

RAUL BRANDÃO
Memórias (Tomo II)
Obras Completas Vol.I p.208
Edição José Carlos Seabra Pereira
Relógio D'Água
1999

sábado, 27 de junho de 2009

SER SANTO

"A Vida de S. Francisco de Assis,de Sabatier,exerceu em Junqueiro uma influência extraodinária. Logo que apareceu,leu-a e só falava nela a toda a gente. Foi desde então que quis ser santo."

RAUL BRANDÃO
Memórias (Tomo II)
Obras Completas Vol.I p.197
Edição de José Carlos Seabra Pereira
Relógio D'Água
1999

sexta-feira, 26 de junho de 2009

DO ÁLCOOL

"Junqueiro escreveu algumas poesias eróticas,que um livreiro do Porto a ocultas coligiu e publicou tirando quarenta exemplares. José Sampaio arranjou um para a Biblioteca Municipal do Porto. Junqueiro,que passou a vida a comprar por todo o preço esses exemplares,deu o manuscrito da Pátria à Câmara do Porto em troca do exemplar da Biblioteca. E dizia: - Esses versos não são meus,são do álcool."

RAUL BRANDÃO
Memórias(Tomo II)
Obras Completas Vol.I p.197
Edição de José Carlos Seabra Pereira
Relógio D'Água
1999

sábado, 25 de abril de 2009

BARCA BELA

http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/almeida-garret/barca-bela.php

AMIEIRA DO TEJO,SEMPRE

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_ibwIaKTEojoZ571tRkRxBSJgeXkcC2kamBQWOyxAeiIRfEkW_t9QuIkeH4XPJzPHCOuygPkLoiieL_T7H2omdc46UHb1RgFdzQtrVH1duQjXMArRcHu9dYOwmWi21VBBnlML05Wju4M/s1600-h/P6090786.JPG

Do blogue OLHARES DA NATUREZA,de ARMANDO GASPAR

Um castelo sugestivo. O pai de Nuno Álvares Pereira,D. Álvaro Gonçalves Pereira ,Prior do Crato,o mandou construir,e lá morreu. Assim se lê no Guia de Portugal 2º Volume,de Raúl Proença.

terça-feira, 17 de março de 2009

SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens ! Morder como quem beija !
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor !

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer quem se deseja !
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor !

É ter fome, é ter sede de Infinito !
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito !

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente !

FLORBELA ESPANCA
Sonetos
35ª Edição
Bertrand Editora
2005