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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

BURACOS

Admirava como as árvores estivessem ainda de pé,tal a fartura de buracos à sua volta. Teria cada coelho feito a sua toca.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

HISTÓRIAS E VOLTAS

Calcário aqui,em sítio tão interior,na vizinhança de assentadas de granitos e de xistos? Muitas voltas isto tem dado. Muitas histórias os calcários,granitos e xistos, têm para contar.

terça-feira, 20 de abril de 2010

REMÉDIO

O preço do trigo andava muito cá por baixo. Assim não dá,diziam uns. Se ele subir,temos de comer menos,que remédio,diziam outros.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

UMA QUEIJADA

Estivera fraquinho,e o médico recomendara-lhe que, antes de ir para a cama,devia confortar-se com um cálice de bom vinho do Porto e com um bolo que se visse. Isto era,pelo menos,o que ele dizia e o que fazia, sem falhar uma vez sequer. Em Évora, foi uma queijada.

sábado, 17 de abril de 2010

RENTE AO CHÃO

Ah asas para que vos quero,e lá escapou a perdiz,quase rente ao chão,livrando-se de uma enfiada de chumbo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ENCOMENDAS

Reformara-se,depois de muitos anos sentado a uma secretária mechendo em papéis. Um manga de alpaca. Nem parecia o mesmo,reconhecido,principalmente,pela mulher. Quem diria que estava ali um apicultor de se lhe tirar o chapéu? Não se produzia melhor mel lá na região. Mas não se ficara por aqui. Fizera-se um especialista em canas de pesca. Choviam encomendas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

ZANGA

Pobres dos abibes. Diziam que não mereciam que se lhes atirasse,pois tinham pouco para comer. Mas ele,naquela tarde,não havia meio de encontrar uma perdiz ou um coelho,e foi o pobre casal que apanhou a zanga.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

MUITO DESCONFIADAS

Oh senhor Joaquim, que aves são aquelas? Que grandes elas são. Aquilo são abetardas. Teve sorte em as ver,assim tão próximas,pois são muito desconfiadas. Deram-se uns passos,e ah asas para que vos quero.

terça-feira, 13 de abril de 2010

DE QUALQUER MANEIRA

Oh amigo,não havia aqui uma casa? Havia sim senhor. Como é que você sabia,se não é daqui? Olhe para esta fotografia. Quando ela foi tirada estava cá. Pois estava. E que bem ela se vê. Quem é que fez essa fotografia? Foi alguém que andou por aqui de avião. Então já a gente não pode andar por aí de qualquer maneira? Isto até parece mentira. E agora estou eu a ver. Ali também estavam uns chaparros. Desapareceram para se fazer o caminho. Sim senhor,está-se sempre a aprender.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

REI DO CARVÃO

Não lagarvam as moças. Pudera,se elas eram filhas ali do rei do carvão.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

DE EMENDA

À mesa,não se deve ler o jornal,foi o que acabara de ouvir,de pessoa muito respeitada. E assim,
nunca mais,ainda que o silêncio se arrastasse. Ficara-lhe de emenda.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

UMA AJUDINHA

Era uma terra nem pequena,nem grande,uma terra asim assim,que ficava lá para o cabo do mundo,mas com comboio à porta. Nessa terra,havia três pessoas importantes,o comerciante João,o médico e o engenheiro.O senhor João ia,uma vez por outra, à capital,para se actualizar. Aquilo era um contar de novidades de estarrecer,no café central,à noite,depois dos trabalhos. Certa vez,o senhor João contou também uma aventura. Oh senhor João,se a sua mulher calha a saber,coitada dela? Não tem dúvida. Ela sabe muito bem que é só dela que eu gosto,ela está sempre em primeiro lugar.O médico não tinha mãos a medir,mas não na sua profissão. Como a gente lá da terra raramente estava doente e ele não era de se encostar às paredes,arranjara outros interesses. Ele era agente disto e daquilo,era era agricultor,ele era,acima de tudo,mecânico de viaturas. A terra era ponto obrigatório de passagem de tractores e de camionetas,que,frequentemente,tinham as suas mazelas,a necessitar de tratamento. E o médico intervinha,a dar uma ajudinha. Chegava a estender-se no chão,a examinar eixos e cambotas,ficando numa lástima.O engenheiro era o responsável de uma grande obra. Por tal motivo e por estar muito interessado em encarecer o seu complexo trabalho,era ele que pontificava. A grande obra iria custar metade do que estava previsto. É que ele sabia poupar. Hoje meti nos cofres da empresa um dinheirão,era a sua expressão favorita. Quem eram os ouvintes para daquilo duvidar? Mas parecia haver ali economias a mais,alguém teria feito mal as contas.

sábado, 5 de setembro de 2009

AS FÉRIAS

O homem,coitado,volta não volta,lastimava-se. Que o que ganhava era uma miséria,não dava nem para mandar cantar um cego,quanto mais para sustentar a família como devia ser. E não é só de agora. Não calcula o que tenho passado,a magicar na maneira de sair da cepa torta.Se não fossem para aí umas ajudas,não sei o que teria sido da mulher e dos filhos. Era capaz de já aqui não estar,por ter emigrado,como os lá de cima. Esses é que tiveram juízo. A bem ou de qualquer maneira,lá se foram escapando,para ali,para acolá,e agora é vê-los ,quando se chegam as férias. Está a ver?,as férias. Onde é que eles as tinham cá? Não sabiam o que isso era. Não trabalhar e ganhar. Era bom,era.E era um desfiar interminável. Tinha corda para um dia inteiro. Pudera,não pensava noutra coisa,sempre a matutar na forma de sair daquela encrenca.Numa manhã,um, com quem desabafara muitas vezes,deu-lhe para o experimentar. Oiça lá,se você tivesse as terras aqui deste patrão ,o que é que fazia? A resposta foi imediata. Olhe,tinha tantas amigas como ele.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

UMA DELÍCIA

A mesa estava posta,uma mesa única,de pensão,e os convivas foram chegando. Um deles,trazia um grande queijo fresco ,envolvido em papel de jornal. Pousou-o, destapado. Naquele fundo branco,eram bem visíveis marcas negras de letras. Mas ele não as veria ou não lhes atribuiria grande importância. Aquilo ficaria por ali,se ele não tivesse a amabilidade de oferecer. Acharia indelicado não o fazer,tanto mais que estava em presença de gente mais instruída do que ele. Estaria,pois,cheio de boas intenções. Por delicadeza,também,aquele a quem ele se dirigiu,talvez por se encontrar logo à sua direita,não lhe quis dizer porque não aceitava uma porção daquele queijo,que devia estar uma delícia,como o seu próprio dono,aliás,asseverou. Não havia melhor na terra,podem crer. O senhor insistiu e recebeu nova negativa. À terceira,explodiu. Pois é,é por ser oferecido por alguém de poucos estudos. E levantando-se,saiu desabridamente da sala,para não mais aparecer.

terça-feira, 21 de julho de 2009

CASA DE COELHOS

Aquilo era uma paisagem da Lua,ou de Marte,mas com coelhos. Os buracos eram tantos,que era quase um milagre as azinheiras estarem de pé.
E as carraças eram tantas,e de barriga tão cheia,que se davam ao luxo de passear,descontraidamente, por pele de gente,sem ferrarem o dente,ou lá o que era. E os tapetes de coisa repelida? Ficava a terra bem adubada.
É claro que certo trabalho estava muito facilitado,pois as covas eram muito mais do que as necessárias para se ver a qualidade da terra,feita cama de azinheiras e casa de coelhos. Escusado será dizer que receberam os coelhos muitos e muitos agradecimentos,sobretudo,por quem teria de cavar.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

CHÁVENA DE CHÁ

Certamente,deve estranhar aquilo que eu costumo dizer. O senhor diz aquilo que entender,não tenho nada a acrescentar. O senhor é que sabe,que já tem idade para saber o que deve dizer. Pois,aqui onde me vê,já falei doutra maneira,mas tive de desistir. Não sei se me compreende. Compreedo-o muito bem,não haveria de comprender? Vai mais uma chávena de leite,ou de chá? Pode ser,agora,de chá. Muito e muito obrigado. Não o esquecerei,pode crer. Têm sido muitas as suas amabilidades.

PARA APRENDER

Era um caderno,ali bem aberto,sobre o tampo da mesa dos almoços e dos jantares. E ele,e um seu ajudante,ainda que sem tesouras,fartaram-se de cortar. E este também é para cortar?,
queria saber o ajudante. Sim,esse também se corta. Para aprender. Estiveram naquilo a manhã inteira,quase sempre sozinhos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

INESPERADO ENCONTRO

As surpresas que se podem ter quando se anda a trabalhar,ou a passear,em pleno campo. E foi o que aconteceu naquela altura,manhã ja alta. De repente,por detrás de uma cortina de árvores,em que pontificavam ameixieiras,lá nas imediações de uma vila do Alentejo interior,surge um chapéu colonial,que protegia a cabeça de uma senhora jovem. Encontrava-se de férias.
A senhora também ficara surpreendida,pois estava muito longe de adivinhar o que levava o outro a andar por ali. Mas era interessada,e sabendo de que se tratava,acabou por agradecer as informações,pois talvez fosse aquilo também útil ao marido,para quando regressasse. Certamente por isso,à despedida,disse que tivera muito gosto naquele inesperado encontro.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

PACIÊNCIA

Já viu a terra que lhe foram arranjar para o ensaio? Olhe que andaram por aqui ovelhas a fazer das suas. Depois se verá,não se preocupe. Fora,de facto,como se previa, uma rega de todo o tamanho. Muita água as ovelhas deviam ter bebido,água que ,ao sair,trouxera com ela o que tinha dissolvido. Uma certa adubação não faria melhor. Paciência,mas não se perdera tudo,pois sempre deu para tirar algumas conclusões.

EM PLENO CAMPO

Você por aqui,em pleno campo? O mesmo digo eu, Senhor Professor,não o fazia por estes sítios. Foi uma boa surpresa,acredite. Para mim,foi uma grande surpresa. Estava-o a ver só em laboratório,
e,afinal,aqui está em trabalhos de campo. É a vida,Senhor Professor,é a vida.
Um grande Professor este,de primeira escolha. Por onde passava,deixava rasto fundo. Para não mais o esquecer.