domingo, 5 de abril de 2009

ETERNO FAZ DE CONTA

Naquela altura,estavam descansando da labuta da vida,que bem o mereciam. Servira-lhes para isso o estreito poial de uma porta. O que eles tinham apregoado naquela manhã ,sobretudo ela,que seria assim que ele queria,exigia,que a vida custa. As vozes,em especial a dela, vozes fortes,penetrantes,apelativas,alcançam grandes distâncias.
É só um euro,é só um euro. E são morangos,e são mangas,e são ananazes,e é hortaliça,é o que calha,é o que der mais jeito,desde que seja de comer,é o que der mais lucro,certamente. Trazem a mercadoria num carrinho,já um tanto gasto,que a vida não está para luxos. Um carrinho nervoso,sempre de uma esquina para outra,a fugir da autoridade,que faz vista grossa,num eterno faz de conta,compreensivo quanto baste.

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