terça-feira, 28 de outubro de 2008

INCORRIGÍVEL

Logo no primeiro dia,lá na estância de férias,punha os que ela apanhava a jeito ao corrente da sua trepidante vida. Para abrir,era doutora. Mas para o ser,o que ela tinha passado não o desejava ao seu maior inimigo. É que já não era nova,muito longe disso,quando pensara em tal. Mas alimentara sempre esse sonho durante décadas. E um dia,chegara ocasião propícia e ela agarrara-a com todo o seu querer e desembaraço. Depois,não era uma doutora para brincar. Desfazia-se em tantos trabalhos,que estava ali que nem se sentia. E indicava-os,e narrava-os. Das histórias dos outros não queria saber.
Tudo isto no primeiro encontro,no primeiro ano. Nos seguintes,a coisa começava sempre com um aviso. Desta vez,venho só para descansar. Assim fazia no primeiro e no segundo dias. Levantava-se tarde,vinha tarde para as refeições. Mas podia ela lá resistir,podia ela lá desperdiçar aqueles magníficas oportunidades de mostrar os seus feitos,os seus muitos triunfos. E era um desbobinar interminável,sem intervalos. Incorrigível.

Sem comentários: